segunda-feira, 14 de março de 2011

Ter uma depressão aos 20 anos. Nunca pensei que fosse possível entrar numa depressão assim tão novinha, não eu. Mas ela aqui está. E de quem é a culpa? De erasmus, pois. É claro que não estou aqui a falar de uma depressão a sério, daquelas mesmo complicadas e que nos fazem amaldiçoar o mundo e a nossa vida. Não. Posso até dizer que a minha é uma depressão boa, se é que isso existe, porque provém do facto de ter vivido, em 5 meses, momentos inesquecíveis, marcantes, que, sem dúvida nenhuma, modificaram, do melhor modo possível, a minha vida. E o que fica é uma nostalgia e uma saudade imensas, daquela que foi a minha cidade durante cinco meses (come sei bella Padova!), daquelas que foram as pessoas que conheci e que se tornaram, verdadeiramente, as minhas pessoas, daqueles jantares bem regados a vinho e daquelas noites de dança, da minha bicicleta, do meu quartinho e, especialmente da minha caminha, dos "caffè macchiato", das pracinhas, de poder fechar a janela e ficar a dormir, uma vez ou outra, em vez de ir às aulas, de um abraço ao fim da noite, daquelas conversas que se têm numa varanda ou numa mesa de cozinha, depois de algum álcool no sangue, daquelas vezes de "danza kuduro", daquelas maluqueiras permitidas por todos porque "what happens in erasmus stays in erasmus", daquela sensação de liberdade, mas também daquela sensação de responsabilidade, de ter o sucesso apenas dependente de mim.
No início, foram momentos complicados, nunca tinha vivido sozinha e ter esta primeira experiência num país longe de casa talvez não tenha sido o caminho mais fácil. Depois, de início, há sempre uma infinidade de coisas para tratar, ora é o alojamento, ora é o plano de estudos, ora é a matrícula... Apesar disso, quando falo em início, é mesmo início, a primeira semana. Porque a partir daí foi sempre a melhorar! Claro que a solidão volta e meia apertava um bocadinho, acompanhada das nossas famosas saudades, pois a verdade é que não tinha lá quase ninguém do meu mundo, estava longe do meu espaço, daquele conjunto de pessoas com quem estou habituada a lidar muito frequentemente. Mas, as expectativas já de início eram boas, apesar de todas as dificuldades que se faziam prever, era uma aventura! E eu cá gosto de aventuras! E, no fim, apesar das já previamente elevadas expectativas, posso dizer que saí surpreendida a 1000%! É bom lidar com jovens e esta experiência valeu sobretudo pelas pessoas que conheci. Pela abertura de mentalidades, pelo encontrar de pessoas tão parecidas connosco em lugares tão distantes do nosso cantinho à beira mar plantado. E a língua italiana, ma che bella!
É por tudo isto, por ter sido tão intenso tudo aquilo que vivi que agora sinto uma pequena tristeza a acompanhar-me, por saber que aquela vida que tive não voltará mais. Mas as recordações, ui essas estão aqui bem guardadinhas. No lugar mais protegido da minha memória. E que boas que são. E minhas. Gosto muito, muito disto. E agradeço por ter tido esta oportunidade, sei que não está ao alcance de toda a gente, pois exige encargos financeiros, mas também uma predisposição psicológica para partir para a aventura, para o desconhecido. E o que eu cresci e o que eu aprendi!
Retiro o que disse de início, não estou deprimida, estou é muito feliz!
Se eu não der as boas vindas a mim própria, quem me dará?

Hey you..hey me!

Olá, sê bem-vindo ao mundo dos blogues. Aqui poderás deixar um pouquinho da tua vida, mas só um pouquinho, porque um blog não é um diário. Aqui partilharás pensamentos, citações, textos sobre coisas que te deixam feliz, textos sobre coisas que te enraivecem. Vais-te encher (ou será fartar?) e, provavelmente, acabar com este teu novo mundo antes mesmo que ele se possa dizer parte da tua vida. Mas também irás recordar e passar aqui sempre que precisares, ou simplesmente quiseres, relembrar esta tentativa frustrada de te tornares parte do digital. Este será o teu espaço para dizer "estupidezes", para te libertares... afinal nem estás a pensar dizer a nenhum dos teus amigos ou conhecidos que criaste um blog, certo? É muito provável que o que aqui escrevas não tenha a menor importância, que só te interesse a ti, mas, afinal, "who cares"?
Sê bem-vindo, eu!